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segunda-feira

Cantiga do Divino

Nossa Senhora da Guia
Ai, dá com a frente para o mar
Para ver seu Bento Filho
quando vem de Portugal

Nossa Senhora da Guia
Me empreste o vosso manto
Eu quero subir ao céu
Domingo de Espríto Santo

Quando o mastro for acima
Ah, eu quero ser a primeira
Eu quero pegar nas asas
do pombinho verdadeiro
(...)

Canção das Caixeiras do Divino.
Na Festa do Divino Espírito Santo, uma criança é coroada como imperador, comida é distribuída a toda gente e os presos devem ser soltos.

Ainda

Ainda não consertei o chuveiro
Ainda não casei
Ainda não acabei de ler a biografia do Gandhi
Ainda não dormi nem escovei os dentes
Ainda acendo velas vez ou outra
Ainda tem argila aqui em casa e não fiz nenhuma escultura
Devo visitas
Devo parar de mentir.... pra mim
Devo sonhar mais e me iludir menos (?)
Devo arrumar meu quarto
Aponto com fúria qualquer um que cometa meus erros
Estou tentando ficar leve e os outros não deixam
Frio nos joelhos
Arrependimento por duas ou três coisas que fiz ou não fiz mais
Detesto os Beatles
Aprendi o nome de uma árvore
Chorei ouvindo um verso cantado em sotaque nordestino.

sexta-feira

Mestre Patativa do Assaré

Poetas niversitáro,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia:
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazer e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô da minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro de iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

Mestre Patativa do Assaré em versinhos tirados de seu livro "Cante lá que eu canto cá", estudado na Sourbone. Patativa era cego e quase analfabeto.