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sexta-feira

Separação

Ela abriu a porta e desceu a escada. Viu os jornais em cima da mesa. Controlou a vontade de vomitar e daí ficou esperando passar olhando as paredes brancas.
Ele chegou em seguida, tentando não fazer barulho e tropeçando nos degraus. Não conseguiu dormir pensando nela. Deitado de costas lembrava do cheiro da roupa dela e do suor.
Ela desligou o telefone e apagou a luz. O mal estar tinha passado e sentiu o sono se aproximar.
Horas depois ela sonhava com cisnes mortos num lago enquanto ele tentava ler um artigo sem conseguir se concentrar. Tinha havido pelo menos ternura.
Agora estavam separados por quatro cidades, dez dias e duas cápsulas de remédio.

Limites

O limite do corpo é o gesto
O limite da linha é do lápis
O limite do som cabe numa corda
O limite da vontade pulsa num relógio
O limite do tempo cabe no olho de uma criança pequena
O limite da fúria mora numa onda
O limite da gente não existe