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quarta-feira

Semana de luta antimanicomial e ontem passamos o dia no hospital.
Desta vez não vi mamãe cair, posterguei o momento do seu café da manhã e me distraí nos afazeres quando ouvi seu grito inumano. Comparo este berro àqueles que por vezes dão os elefantes. Ainda não faço ideia de como ela caiu, mas suponho que tentou ficar em pé e sentiu-se mal. Encontrei-a de costas no chão, olhos abertos e revirados, boca entre aberta, mãos crispadas, sangue na testa. Nem sei como fiz uma massagem cardíaca e repetia para ela: Respira! Fique aqui comigo! - Ela pareceu ir voltando a si e saí correndo para pedir ajuda.
A ambulância demorou um tempo enorme para chegar e ela voltou a si e queria sair do chão gelado. Me abracei a ela para manter o calor corporal e para agradecer por ela ter ficado comigo e respirado. Lembro de rezar um pai nosso e uma ave maria naquele intervalo imenso em que ela voltou a si e tentava se levantar do chão quase me derrubando junto. Ela deitou-se sobre minha perna esquerda que dormiu. Vieram buscá-la. Fomos ao hospital em jejum, em jejum voltamos. Deram a ela um anticonvulsivo na veia, mesmo eu tendo dito que só supunha que ela tenha tido uma convulsão. Perguntas sucessivas sobre ela ser hipertensa, aparentemente a pressão estava anormal. Não me ocorreu medir sua temperatura corporal. Não sei o que aconteceu.
Iríamos às manifestações da luta antimanicomial em São Carlos. Infelizmente novamente estaremos por aqui, manifestando só por meio virtual.
E que viva a loucura!

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